sexta-feira, 25 de maio de 2012

"ORA PRO NOBIS...

Lendo uma postagem de uma colega a respeito da indiferença da sociedade frente à GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA, fiquei incomodado com essa apatia da população, do Ministério Público, das Igrejas, da CNBB, dos Artistas Baianos, da Mídia, ao mesmo tempo preocupado com os desígnios da educação neste estado.

Não faz muito tempo que a sociedade baiana viveu momentos de apreensão e insegurança com a greve dos PMs. É fato que todos nos desejávamos que essa manifestação tivesse logo um desfecho tranquilo e que esses profissionais retornassem aos seus postos com as suas reinvindicacões atendidas.Todavia, fora preciso que o trânsito parasse,que lojas e supermercados fossem saqueados,que a força de segurança nacional fosse acionada; que o número de homicidio aumentasse e que ameaçasse o CARNAVAL dos empresários, dos blocos,da rede de hotelaria, dos turistas, da Rede Globo, da Band, do Chiclete, da Ivete...

E a greve dos professores ameaça a quem mesmo? À Lei de Responsabilidade Fiscal? Às Eleições Municipais ou ao Ano Letivo dos alunos? Parece-me que este último não tem grande força em comparação ao carnaval, haja vista à posição arbitrária e atroz desse governo ao cortar direitos e salários de um classe tão massacrada, mas fundamental para o progresso de uma Nação.
Quem realmente está se importando com a educação neste estado? Aonde estão os movimentos estudantis, os pais dos alunos, as Igrejas, a oposição, as forças sindicais,os magistrados e promotores, a mídia, as redes socias(os "facebookeiros"), que não abraçam essa causa? Será que essa nossa luta não é justa? É insano um aumento de 22,22% comparado aos 61,8% que os próprios deputados se presentearam na véspera do Natal (23/12/2010). Esse aumento estava no orçamento do ano subseqüente(2011)?

À propósito, quanto custa um deputado estadual somando-se salário + verba indenizatória + verba de gabinete? Cada deputa- do estadual baiano custa aos cofres públicos cerca de R$ 114 mil por mês (existe carga horária? há assiduidade? comparecem às sessões regularmente?) e todos juntos significam mais de R$ 87 milhões ao ano. O valor do orçamento da Assembleia Legislativa previsto para 2012 é de R$ 351 milhões.

O que significa esse valor frente a um salário de um professor Licenciado de 40 horas, padrão P e grau I, que recebe seus " milagrosos" R$ 1.659,94? (tabela Maio/2012).

Além do mais, quanto é repassado do FUNDEB e gasto com o a folha de pagamento de professores? Quanto custam as propagandas do governo em horário nobre de televisão e nos mais diversos meios de comunicação? Por quê não se tornam públicas as informações sobre a execução orçamentária e financeiras da Assembleia Legislativa? Por que essa blindagem toda com as contas públicas? Por quê as contas da Assembleia Legislativa da Bahia (AL) não são julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE)há mais de cinco anos? Por quê...?

Se com a greve dos policiais não houve urgência em resolvê- la mesmo com os holofotes da mídia e repercussão em todo o mundo, cobrando uma ação eficaz do governo, que atitude se esperar desse governo em face à greve de professores de escola pública? ( invibializar o ano letivo? Pressionar os professores não pagando os salários...?). A sociedade cobrou uma solução urgente para a greve dos PMs por achar que eles merecessem um salário digno ou por que as suas vidas e o seus patrimônios estavam correndo riscos?

E os nossos alunos que riscos causam à sociedade? Que prejuizo causam aos cofres públicos? O que significa o aluno na sala de aula para o governo senão números e cifras? À propósito, como anda o IDEB da Bahia?

Ora, colegas, se a nossa greve não repercute, de imediato, na economia, na segurança,na bolsa de valores..., infalivelmente trará sérias consequências , no futuro, para toda a sociedade. Crianças e jovens sem aula hoje é caminho para drogas amanhã, para a violência, para o fracasso profissional...
Educação sem qualidade, sem ambiente adequado, sem valorização e respeito para com o PROFESSOR, isso sim é um dos maiores crimes que se pode cometer, pois não só se perdem vidas, mas sobretudo perde-se o direito de APRENDER E CRESCER COMO UM VERDADEIRO CIDADÃO."

"...Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais..." (C. Veloso)

Evando de Oliveira
Professor da Rede Estadual de Educação
Riachão do Jacuípe-BA

quinta-feira, 1 de março de 2012

A ferramenta de trabalho do filósofo

Quando fazemos a pergunta aos alunos: quem é o filósofo?
Obtemos as seguintes respostas: salvo alguns, “o filósofo é uma pessoa que não diz coisa com coisa”; “que fala coisas que não entendemos”; “um louco”.
Agora eu interrogo ao leitor: Por que destas respostas?
O filósofo francês André Comte-Sponville comenta que só não filosofam aqueles para quem “já não é possível pensar de modo algum”. Neste ponto podemos afirmar que todos nós possuímos a “ferramenta” de trabalho do filósofo: a capacidade de pensar; e como em qualquer outra “profissão”, precisamos aprender a utilizar os instrumentos que utilizamos nas atividades. Assim, o filósofo não está tão distante, mas pode ser cada de nós ou deles (dos alunos), pois pensamos. E eu agora, sou uma pessoa que não diz coisa com coisa? Um louco? (podemos se perguntar ou fazer eles pensar). Já filosofando.
Mas, basta que eu pense para ser considerado como um pensar do filósofo?
No próximo texto discorrerei sobre essa questão.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A estratégica do Eu-não

Você é famoso(a)? Ou pelo menos alguém já tentou torná-lo?
Alguma vez você já recebeu uma fama sem merecer?

Muitos de nós passamos por isso.

A tática de difamar o outro é bem antiga e acompanha a humanidade até os dias de hoje. A difamação (do latim diffamare) significa desacreditar. Percebe-se que a difamação é uma estratégica que determinadas pessoas usam para dissimular seus defeitos colocando-os no outro. Difamar.

É aquela coisa: impregnar no outro ou tornar a fama do outro aquilo que lhe é característico. Tem aquele dito popular “Macaco não olha o rabo”.

Um dramaturgo romano, Plauto, escreve em uma de suas peças: "Os que propalam a calúnia e os que a escutam, se prevalecesse minha opinião, deveriam ser enforcados, os primeiros pela língua e os outros pela orelha".

O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista construiu uma imagem de raça pura e superior em detrimento das outras que seriam inferiores, de menos inteligência.

Muitas religiões também têm utilizado destas estratégicas para se tornar a religião salvadora. É uma tática terrível.

Muitos usam para trapacear, para levar vantagem em relação ao outro, para ser promovido no emprego, para ser o melhor que o outro, para ser o correto e para tentar mostrar que ele não é aquilo que o outro é.

Difamar se caracteriza como um crime com pena de detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa em difamar alguém imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação.

Temos que aprender a lidar com este fenômeno.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

domingo, 12 de dezembro de 2010

MARGINALIDADE OU RESISTÊNCIA? Marcas de luta e resistência do negro nas obras de Jorge Amado

Durante muito tempo os negros foram considerados pouco mais que animais, muitas eram as idéias científicas que apregoavam ser o homem negro inferior ao branco, justificando-se por meio de embasamento teóricos racistas, como o darwinismo elitista que influenciou o pensamento da humanidade nos séculos XVI, XVII e XVII.

Nesse contexto tudo o que era produzido pelos negros era marginalizado pela elite brasileira, e conseqüentemente pela elite baiana. Apesar da cultura do dominado não ter nenhum reconhecimento socialmente, é percebido a sua permanência no cenário literário, reivindicando sua inserção de forma mais igualitária na sociedade, prova disto é fácil identificar vários escritores de renome nacional que estamparam em seus romances a tentativa de afirmação da identidade do povo reprimido.

A representação destas lutas, encontramos com bastante propriedade nas obras amadianas, as quais remetem a uma painelização das múltiplas facetadas formas de resistência da cultura negra.

Nas obras amadianas, especialmente Pastores da Noite e Jubiaba, Jorge Amado representa de forma irreprochável, os modos como o proletariado manifestava sua cultura e que hoje são lidas como forma de resistência.

O negro sempre foi visto como o preguiçoso, o feio, o malandro, o mentiroso etc, mas se continuarmos com esta visão estereotipada, não será possível fazer uma outra leitura a partir das obras de Jorge Amado. A partir da situação social do negro e de sua luta por liberdade faremos um redimensionamento desta compreensão.

Como era de costume dos negros na época da escravidão mentir para trapacear seus senhores, vingar-lhes por seus sofrimentos, o negro Balduino, em Jubiabá, se vê obrigado a mentir descaradamente para disfarçar afetos e mascarar ações. O narrador onisciente em Jubiabá, afirma que, com as surras, o negrinho se via obrigado a mentir para livra-se de outras.

A mentira era uma excelente forma de enganar os senhores chegando a prejudicá-los. Em Jubiabá, a mentira também aparece como finalidade, a tentativa de preservar uma de hierarquia. A personagem Amélia, se vendo como superior, cumpre na história a velha função de mexeriqueira e má, buscando de qualquer maneira desmoralizar o protagonista Balduino.

Muitos negros apoderaram-se de práticas mentirosas como maneira de conseguir alguns méritos ou benefícios, principalmente benefícios materiais. Isso é visível em Jubiabá quando o negro Balduíno e seus colegas fingem-se de mendigos cegos para conseguirem dinheiro fácil para suprirem suas necessidades ou muitas vezes para alimentar seus vícios.

Uma outra forma de insubordinar-se contra as determinações das classes dominantes é a prática de roubos e assaltos, atitudes essa retratada por Amado ao esclarecer que as profissões escolhidas pelas crianças do morro eram justamente as de malandragem, desordeiros e ladrões de atentar para a escravidão das fábricas, dos campos e dos ofícios proletários.

Evidencia-se na narrativa amadiana a influência das relações de produção social, estando perceptivelmente destacada à questão da estratificação social a que estão submetidos os negros, pelo fato de perdurar para estes o estigma de “subordinados”, sendo de certa forma, destinados a conviver com a idéia de que serão dependentes daqueles que detém um maior poder sobre os mesmos. Como bem afirma Eduardo de Assis Duarte: “Fica patente a rigidez de uma estratificação social que nega aos oprimidos acesso a atividades que lhes possibilitem alcançar um outro nível de vida”. (DUARTE, 1996, p. 98).

Obviamente, pelo fato de reconhecerem a dominação dos brancos e ricos, os negros passavam a sustentar um ideal de liberdade, para assim não manterem-se na condição de explorados, desta maneira acatavam a marginalidade como sendo sua única opção de status quo. Pois já lhes fora impregnado a idéia de segregação que coloca pobre-negros e branco-ricos em patamares totalmente paradoxos.

Mostrando-se embravecidos com sua posição social os negros, que comporia a classe dominada (composta por sua maioria de negros e mestiços), utilizavam da recusa ao trabalho – que lhes remetiam às suas piores recordações – para buscar a afirmação da liberdade.

A aversão de Balduíno ao trabalho lhe garante a liberdade e o livra da opressão dos patrões, fato também que Jubiabá o admira. Esta situação é percebida nos seguintes trechos:

Também Jubiabá gostava de Antonio Balduíno. Falava com ele como se ele fosse um homem. E o pretinho ia tomando amizade ao macumbeiro.

Respeitava-o porque ele sabia tudo e solucionava todas as questões entre os homens do morro. E curava todas as doenças e fazia feitiços fortes e era livre, não tinha patrão nem horário de trabalho.

(p. 34).

De que valia trabalhar? Viver debaixo dos fardos, carregando os navios? Depois morria e deixava os filhos sem ter de que viver. O velho salustiano pegara e se jogara na água E foi de tanto pensar nessas coisas que Viriato, o anão, se matara numa noite de temporal. Antonio Balduíno não gostava de pensar nessas coisas.

(AMADO, Trecho de Jubiabá, p. 246)

O aborrecimento de Balduíno quanto ao trabalho durou até o momento em que se viu obrigado a velar pelo filho de Lindinalva depois da promessa no seu leito de morte, mulher que ele realmente amou.

A aquiescência à greve por Balduíno é definitivo na sua formação de líder e revolucionário:

Antonio Balduíno já estava cansado de ouvir tanto discurso. Mas gostava. Aquilo era uma coisa nova para ele, uma das coisas que amaria fazer. Fazer uma greve... Nunca tinha pensado nisso. Mas era bom. Ele tinha a impressão de que naquele momento eram donos da cidade. Donos da verdade. Eles não queriam, não havia luz, nem bondes, nem telefone para os namorados, o noivo sueco não descarregaria os trilhos para a estrada de ferro nem carregaria os sacosde cacau que enchiam o armazém 3. os guindastes estavam parados, vencidos pelos inimigos que eles sempre mataram. E os donos daquilo tudo, os homens que mandavam neles, se escondiam medrosos, sem coragem de aparecer. Antonio Balduíno sempre tivera um grande desprezo pelos que trabalhavam. E preferiria entrar pelo caminho do mar, se suicidar numa noite no cais, do que trabalhar, se Lindinalva não lhe houvesse pedido que tomasse conta do filho.

(AMADO, Trecho de Jubiabá. p. 168)

A prática de roubos e fuga dos negros a qualquer custo, enfrentando a polícia, revela a revolta diante de sua situação social e econômica.

Pra sair da situação de oprimido, o negro chegou a cometer assassinato:

A valsa triste canta perto.

— Mas de noite um irmão do negro matou o senhor Leal. O irmão do negro que eu conheci. Foi ele quem me contou a historia.

(AMADO, Trecho de Jubiabá. p. 128)

O rapaz negro desapareceu e meses depois foi condenado a trinta anos porque matou o alemão que deixou Mariinha com um filho e sem emprego.

(...)

O Gordo reza em voz baixa. Pede a Deus que não deixe o alemão levar mariinha e que não faça faltar comida na mesa do canoeiro Antonio Balduíno sabe que o Gordo está rezando e que é inútil. Diz:

— Pode ser heresia, minha gente... Mas a vontade que esse nego que está aqui tem é matar os brancos todos... Matava e não tinha pena...

(AMADO, Trecho de Jubiabá. p. 147)

e até mesmo a se suicidar. Esta foi à saída encontrada por Viriato Anão e o Velho Salustião:

Certa noite, no cais, os homens pararam de repente o trabalho e correram para a borda onde o mar batia. Havia uma clara e estrelas tão brilhantes que nem se via a luz da lâmpada de um botequim que se chamava Lanterna dos Afogados. Os homens encontraram um paletó velho e um chapéu furado. Alguns negros caíram n’água. Voltaram com um corpo. Fora um preto velho, um daqueles raros pretos de carapinha branca, que se jogara ao ma. Antonio Balduíno ficou pensando que ele entrara pelo caminho de casa, que ele também vinha ao cais todas as noites. Porém um estivador explicou:

— É o velho Salustiano, coitado... Tava sem trabalho desde que saiu das docas...

Olhou pros lados, cuspiu com raiva:

— Disseram que ele já não dava conta do serviço... Já não tinha força... Andava agora passando fome, cortando uma dureta. Coitado...

Outro ajuntou:

— É sempre assim... Matam a gente de trabalho e depois mandam embora. Quando a gente não pode fazer outra coisa senão se jogar no mar.

(AMADO, Trecho de Jubiabá. p. 69)

Foi numa noite assim de temporal que Viriato o anão entrou pelo mar adentro. Os siris habitaram seu corpo e chocalhavam. Também o velho Salustiano foi procurar o caminho de casa. E uma mulher que se jogara n’agua com uma pedra no pescoço? O saveiro balançava nas águas. Na vinda Antonio Balduíno pensara em jogar o bote em cima das coroas de pedra. Hoje ninguém vê as coroas. As águas taparam tudo e mestre Manuel não sederia o leme a ninguém. (232)

Sob essa ótica pode-se afirmar que os negros não foram pessoas mudas e passivas na história. No entanto, comportaram-se como agentes transformadores, sujeitos ativos e construtores de sua própria liberdade.

REFERÊNCIAS:

AMADO, Jorge. Jubiabá. Rio de Janeiro: Editora Record, 2006.

______, Jorge. Pastores da Noite. São Paulo: Martins Editora.

DUARTE, Eduardo de Assis. O romance de formação proletário, IN: Jorge Amado: romance em tempo de utopia. Rio de Janeiro: Record; Natal: RN - UFRN, 1996, p. 75-113.

RODRIGUES, N. Os africanos no Brasil. 2. ed.São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A literatura como uma possibilidade de desalienação

José Ginvaldo Abreu de Araújo

Os textos literários não se limitam a aspectos estruturais de uma língua. Esses textos também difundem a cultura de um povo. Além disso, favorecem o desenvolvimento de uma visão crítica nos leitores devido a elementos característicos da literatura, como a subjetividade e a ambigüidade, que estimulam discussões e permitem diversas interpretações para o texto. Portanto, é fundamental proporcionar o fácil acesso a estes matérias, nas escolas, aos alunos já mesmo nas séries iniciais, pois eles desenvolvem naturalmente a compreensão leitora, a produção oral e escrita.

O livro literário, como já era notado por Silviano Santiago no texto “Vale Quanto Pesa”, escrito em 1982, circula de maneira limitada, deficitária e mácula. Parece que não temos avançado tanto. Ainda hoje, poucas são as escolas que dispõem de bibliotecas equipadas, condição imprescindível na formação dos jovens, uma vez que apenas no ensino superior é oferecido um mínimo.

Então como fazer uma crítica ao livro de ficção brasileira sem ler? Contudo, o que vai prevalecer é o olhar da cultura dominante, já que, como afirma Silviano Santiago “os olhos do romancista e da classe média se concentram no espelho retrovisor”, cuja visão é pouco democrática.

O que Silviano Santiago vem defender é uma literatura, cuja função social é a de “proporcionar um espaço crítico, mordente e rebelde”. Esses romances contemporâneos deveriam refletir sobre os grupos sociais dominantes, aqueles que estão ocupando as esferas de poder, de privilégio, tanto nos campos como nas cidades. Mas antes disso, necessita-se de um outro tipo de leitor. Um leitor que se posicione diferente do romancista tradicional, surgindo assim um outro romancista, que “possa propor reflexões às camadas sociais diferentes”. No entanto fica difícil pensar num romancista com esta postura, segundo Silviano Santiago, num país onde as limitações de alfabetização já “esbarram em campanhas mobralescas”, sem considerar as demandas nas outras modalidades de ensino.

O romance contemporâneo deveria, assevera o escritor Silviano Santiago, passar a existir a partir das classes populares, dos grupos marginalizados pelo processo político repressivo, com o desejo de extinguir o poder das classes favorecidas.

Silviano Santiago ainda no texto “Vale quanto pesa”, destaca alguns escritores, entre eles Carlos Drummond de Andrade que, timidamente, começa a mostrar em suas obras o “desejo do homem em inaugurar por conta própria uma sociedade em que pode negar totalmente os valores do passado e do clã”. Seria esse o leitor-escritor que se deseja, que nega a sua identidade com os antepassados e que, com obstinação, luta por uma sociedade sem divisão de classes.

Com o fim da ditadura militar, da censura, hoje em dia, ainda que quase que timidamente, a literatura brasileira inaugura a livre expressão, uma luta da sociedade repreendida no passado.

O escritor, nos dias de hoje, tem um público diferente, exigente e mais atento do que o de 20 ou 30 anos atrás. O escritor de hoje não precisa mais, necessariamente, escrever para a elite – os únicos leitores da época, – com a democratização do acesso à informação, ao saber, e com a difusão da mídia, tanto falada como a escrita, o público leitor exige uma literatura diferente, não mas alienante, que apenas afirmava o que os outros diziam.

Hoje a literatura contemporânea deve revelar nossos mais íntimos desejos, nossas intenções e toda a gama de condicionamentos que se esconde, sob uma aparência de naturalidade. Acredito que é necessário dizer, narrar, sugerir. O escritor não deve se negar à pretensão de escandalizar, corromper, cativar, enganar e, principalmente, persuadir seu leitor. Ele não deve temer, inclusive, certa dose de retórica, ou seja, de argumentação. Não estou afirmando que o escritor deva abdicar-se do estilo ou da literariedade em nome de uma compreensão fácil. E, muito menos, de diminuir a potência do que temos a dizer, da forma como pretendemos dizer. No entanto devemos tornar a realidade clara e revelar o que se esconde nas frestas e nas dobras do viver desumano e alienante.

REFERÊNCIAS:

SANTIAGO, Silviano. Apesar de dependente Universal. IN: Vale Quanto Pesa – A ficção brasileira modernista. São Paulo: Paz e Terra, 1982.

FREIRE, Paulo. Educação e mudança. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dreamy tinha um sonho

José Ginvaldo Abreu Araújo

Quando Dreamy nasceu seu país vivia um grande conflito. As pessoas saiam nas ruas invadindo as residências e os comércios, roubando de tudo e de todos. Seu país vivia uma grande crise, faltava comida e o povo começara a passar fome.

Seu pai era um pequeno comerciante e com medo de morrer, abandou sua casa e seu comércio para fugir daquela cidade, ir pra outro país, com medo de morrer.

Dreamy viveu escondido numa pequena fazenda com seu pai e sua mãe. Desde os 2 anos, a vida do pequeno garoto era trepar em tudo quanto era árvores. Trepava na mangueira, no umbuzeiro, no coqueiro, na Jabuticabeira, na jaqueira, em todas as plantas da fazenda Dreamy escalava.

Sua mãe, com toda a calma do mundo, cuidava dos ferimentos causados pelas quedas.

Por dois anos, o pequeno garoto parou de fazer suas traquinagens, pois em um só dia quebrou as duas pernas, um braço e três costelas. Custou para Dreamy se curar.

O corajoso garoto queria aprender a voar. Ficava boa parte do dia observando as garças voando em grupo. Notava que os urubus conseguiam pairar no ar, mesmo quando paravam de bater suas asas. Compreendiam também, que custavam aos filhotes de rolinha para conseguirem dar seu primeiro vou. Mas se assustou quando percebeu que as galinhas não conseguiam voar.

Mesmo assim, Dreamy continuou com sua atividade maníaca e apaixonada, o desejo de voar e viver livre, conquistar a liberdade.

Aos sete anos, Dreamy é obrigado pelo seu pai a freqüentar a Escola. O garoto tentou lutar contra essa idéia, mas foi vencido pela força de seu pai.

Depois de dois anos de estudo, Dreamy já tinha esquecido do pouco que tinha aprendido nas brincadeiras preferidas de sua infância. Não conseguia mais subir nem no pé de Umbu, considerado por ele, como a árvore mais fácil de ser trepada.

Quando o garoto já freqüentava a 5ª série na Escola Lar das Galinhas, já nem lembrava do que fazia na meninice, pois já abandonara sua esquisita fantasia: o sonho de voar.

Mas a vida não é como a gente quer: entre o sonho e a realidade, existe um anjo mau que resiste ao nosso desejo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Colonização do pensamento ou colonização do lar

José Ginvaldo Abreu de Araújo

Século XXI, como muitos dizem: “a era do conhecimento” ou “o mundo da informação”. Caracterizo este século como o século da “colonização do pensamento” ou “Colonização no lar”. Acredito que alguém já tenha dito isso. Só não sei se disse com estas palavras, ou que tenha utilizado estas expressões. Mas, sem a intenção de plagiar nenhum filosofo ou qualquer outro pensador: “Colonização do pensamento” ou “Colonização no lar”, parecem nomes de filmes, mas é como posso caracterizar o momento político-cultural e econômico desta sociedade globalizada.

Creio que o que tem me levado a falar disto, tenha sido a leitura de alguns textos sobre a “Indústria Cultural” de Adorno e HORKHEIMER, e também, sob influência, principalmente, das aulas de filosofia do curso de Letras, que agora está preste a finalizar o segundo semestre. Mas isso aconteceu há algum tempo, e só resolvi escrever agora. Prefiro não relê-los, para evitar a reprodução das idéias dos autores.

“Colonização do pensamento” é marcada pelo o que todos têm chamado de globalização, ou seja, o planeta constituído em apenas um mercado – o Mercado globalizado —. O mercado planetário luta para tornar todas os indivíduos constituintes de uma sociedade homogênea, onde todos têm que comer as mesmas coisas, vestir-se com as mesmas roupas, desejar os mesmos desejos, comprar as mesmas coisas, em enfim consumir as mesmas coisas. Chegamos num momento onde hoje em dia pode-se afirmar: “questão de gosto agora se discute!”. Pois todos precisam gostar do que todos gostam; comprar o que todos estão comprando; vestir-se da maneira que todos estão vestindo. Portando consumir o que todos estão consumindo.

Parece ser o pensamento de Adorno, quando ele fala “Industria Cultural” ou “cultura de massa”.

O principal elemento que a indústria utiliza para a homogeneidade da sociedade é os meios de comunicação, principalmente a televisão. Ela [a televisão] invade nossas casas e sem pedir licença, dita tudo o que você deve fazer ou deixar de fazer, daí o que chamo de “Colonização em pleno lar”.

Para exemplificar, cito, por exemplo, um comercial de televisão de uma operadora de telefone móvel, a qual, na intenção de vender o seu produto, ou melhor com a finalidade de conseguir consumidores, passa sua mensagem afirmando que quem não usa o seu produto não é normal, é um demente ou um alucinado. No entanto para que o individuo torne-se parte desta sociedade “moderna” precisa usar o que todos agora estão utilizando.

Há tantos outros comerciais que apelam ou, posso assim dizer, esvaziam mentalmente os indivíduos para conseguir seus consumidores. Utilizam artistas famosos de novela, jogadores de futebol [até o quem é considerado como o “Rei do Futebol”, não ficou de fora], animais de estimação, mulheres quase nuas, para tal finalidade.

“Sociedade Moderna”, é assim que chamam. A sociedade, cujos indivíduos não precisam pensar, pois já tem quem os pensam por eles.

A “Colonização do pensamento” já se observa nas expressões da sociedade, o que chamo de “expressões colonizadoras” como: “Na sociedade de hoje quem não fala inglês é um analfabeto”; “Todo mundo precisa de um celular”; “Computador hoje não é luxo, é necessidade”; E muitos outros comerciais que oferecem até milagres: “emagreçam em 24 horas”; “fique milionário em 60 dias”.

Caminhamos, se já não nos encontramos, para uma “sociedade frustrada”. Uns frustrados por não poderem ser iguais aos outros, por não poderem acompanhar o compasso e a ideologia de vida dos outros, por não poderem consumir o que os outros consomem. E outros insatisfeitos por não conseguirem saciar todos os desejos, em não poder satisfazer o desejo de possuir mais e mais.

Com isso a sociedade esta sendo manipulada pela ideologia do consumo. O homem não é mais do que apenas um consumidor, perdendo todos seus valores humanos.

Confio que a saída esteja na deseducação do homem, no que vem sendo transformado na sociedade consumista, bem como, desenvolver uma educação crítica da situação política-social-cultural da “indústria cultural”. Essa deseducação, acredito, deve vir pelo mesmo processo que transformou o homem, pela sua negação, no esvaziamento de sua cultura.

O Ensino da Língua Portuguesa nas Escolas

Por José Ginvaldo Abreu de Araújo

O ensino da gramática nas escolas sempre teve privilégio diante do ensino-aprendizagem de outras disciplinas. Todo o santo dia tem aula de português.

O estudante de Letras sai da Faculdade para a sala de aula lecionar nas séries escolares imaginando que a sua principal missão é “concertar” a fala dos meninos e das meninas que utilizam uma língua estigmatizada, principalmente daqueles das classes menos favorecidas. Ele [o estudante de Letras] acredita que os alunos “não sabem” utilizar a língua correta, e utilizam uma língua “errada”, “estropiada”, “feia”, “inculta” etc. E, Ensinar a usar a língua oral ou escrita que os gramáticos defendem passa a ser o objetivo fundamental do professor de Língua Portuguesa. E para tal fim a gramática será o principal instrumento para a realização.

Os meninos e as meninas são constantemente solicitados pelo(a) professor(a) a abrirem o livro de português e fazem os exercícios de gramática. O ensino da gramática sempre obedecerá a uma rotina uniforme e rígida, seguindo os mesmos passos em todas as aulas.

Os passos são os seguintes: o(a) professor(a) escreve o nome do assunto de gramática no quadro – isso quando lembra – escreve vários exemplos, frases, palavras, e depois pede aos alunos que façam o mesmo com as atividades do livro, correspondente a um modelo. O(a) professor(a) justifica que a prática dos exercícios vai possibilitar aos alunos a produzirem textos melhores e também permite a aprender “falar correto”. Os alunos bem sabem que o que o(a) professor(a) ensina, na verdade ninguém usa; nem ele(a) mesmo(a) que é considerado(a) por todos como o(a) sabichão(ona), o senhor absoluto do saber. No entanto os alunos não podem nem contestar, mesmo que, primeiro não ia adiantar, e segundo, precisam decorar porque esses assuntos vão ser cobrados nas provas.

São inúmeros os alunos que já fracassaram por causa da gramática. Muitos repetiram de série, não só uma vez; outros passaram a odiar o(a) professor(a) e a escola; muitos ficaram com vergonha de falar, com medo de errar, de cair na “esparrela”; passaram a ter vergonha de sua origem geográfica, social, econômica, etc; outros ficaram tão constrangidos que, acreditando que português é muito difícil e que só os Portugueses sabem português não conseguiam mais escrever, mesmo que tentassem.

O que dizer de uma criança de 6 anos que sabe que sabe português e de um jovem universitário que aceita que não sabe português?

Isso implica, como afirma ROSA VIRGINIA MATTOS E SILVA em O PORTUGUÊS SÃO DOIS, que,

“o trabalho pedagógico para o ensino da língua portuguesa não vai pelo caminho adequado e que a escola descumpriu sua missão — em vez de fazer aprender, faz desaprender. E é essa a situação mais freqüente”. (2004, p. 34).

E ainda:

“qualquer individuo normal que entra na escola para ser alfabetizado em sua língua materna já é senhor de sua língua, na modalidade oral própria a sua comunidade de fala”. (2004, p. 28).

Assim sendo, qualquer trabalho de ensino da língua deve levar em conta que a aquisição da língua é um processo de enriquecimento e não de troca, na qual o professor exerce um papel importantíssimo, segundo W. GERALDI em O TEXTO NA SALA DE AULA, apud SILVA:

“precisamos nos tornar interlocutores que, respeitando a palavra do parceiro, agimos como reais parceiros: concordando, discordando, acrescentando, questionando, perguntando, etc”.” (2004, 28).

Nos últimos anos os estudos lingüísticos têm sido formidáveis para o ensino da língua, possibilitando a reflexão à cerca do ensino da língua nas escolas que, segundo o professor de lingüística Marcos Bagno, em muitos casos é utilizado como instrumento de discriminação social e econômica; tratando de um ensino como fonte de complexo de inferioridade para a imensa população brasileira.

O papel do ensino da língua não deve ser a de substituir a língua que o aluno traz de casa por outra do livro didático. Uma das tarefas do ensino da língua na escola seria, como aponta MARCOS BAGNO, em A NORMA OCULTA:

“discutir os valores sociais atribuídos a cada variante lingüística, enfatizando a carga de discriminação que pesa sobre determinados usos da língua, de modo a conscientizar o aluno de que sua produção lingüística, oral ou escrita, estará sempre sujeita a uma avaliação social, positiva ou negativa. É mais do que justo que o professor explique, com base em teorias lingüísticas consistentes, a origem e o funcionamento das variantes lingüísticas estigmatizadas, que mostre as regras gramaticais que governam cada uma delas.” (2003, p. 150)

E ainda, nas palavras de SILVA:

“(…) deve-se defender que seja dada ao falante — e será esse o trabalho ao ensinar-se ao falante nativo — a possibilidade de conhecer, para poder escolher conscientemente, as formas de uso de sua língua entre as diversas formas de se manifestar que ela pode oferecer”. (2004, p. 34)

Bagno reforça ainda que, com a tomada de consciência, o falante/escrevente será ele mesmo o responsável na escolha da opção oferecida pelo idioma, mesmo que a escolha seja a língua estigmatizada e menos aceitável socialmente, mas o que não pode é deixar de conhecer as várias opções da língua.

Não podemos mais fazer do ensino da gramática como uma ferramenta de correção e incorreção do falante/escrevente, que se baseia no uso da língua pelos “escritores corretos”, como afirma os gramáticos.

Bagno assegura que,

“Em vez de deduzir suas regras do uso feito pelos escritores, os gramáticos colhem apenas, na obra dos grandes ficcionistas, aquelas opções lingüísticas que eles, gramáticos, já de antemão consideram as boas, as bonitas, as corretas —- isto é, aquelas em que supostamente não se detectam nenhuma ‘interferencia da língua falada’.” (2003, p. 156).

Cabe, portanto, ao ensino da língua portuguesa na escola possibilitar aos alunos a perceberem que a aquisição lingüística é um processo ininterrupto de conhecimento e que reconheçam a pluralidade de manifestações possíveis da língua, que por fatores históricos, econômicos, sociais ou origem geográficas são consideradas estigmatizadas ou cultas, e dar a eles o direito de escolha na utilização da língua materna.

Referências citadas:

BAGNO, Marcos. A norma Oculta:língua e poder na sociedade brasileira. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.

SILVA, Rosa Virginia Mattos e. O português são dois: novas fronteiras, velhos problemas. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

A Construção do Conhecimento e as Novas Tecnologias

Um dos grandes desafios das escolas na atualidade é conseguir a atenção de seus alunos nas aulas. O estudante moderno vive em constante contato com as multimídias; Ele está familiarizado com o rápido surgimento de novas tecnologias, exigindo de nós educadores uma linguagem contemporânea e, portanto, que desperte maior interesse; ele estar mergulhado na cultura da imagem. É preciso considerar esta realidade.

A forma tradicional de apresentar conteúdos em sala de aula não consegue mais motivar e prender a atenção dos alunos. Nesse sentido, as tecnologias cumpre um papel fundamental nas escolas, representando uma bem-vinda saída para a superação desta dificuldade.

As teorias Construtivistas mostram que a melhor educação acontece quando o professor ao mesmo tempo em que ensina ele também aprende. Essas teorias transformam o modelo de ensino até então vigente nas escolas, no qual a postura do professar era o de detentor do conhecimento. Com o uso das Tecnologias os jovens sente que é sujeito do conhecimento.

Não há dúvidas sobre a importância da inclusão das tecnologias como meio de propiciar a construção/reconstrução e socialização de conhecimento para um melhor contexto individual, social e coletivo de todos os envolvidos. Pois, muito além de transmitir informações, a educação do século XXI deve formar cidadãos que saibam transformar informações em conhecimento, e que saibam fazer uso desses conhecimentos, pois é só o saber, mas o saber fazer. Aprende-se fazendo, numa situação que requer esse fazer determinado.

QUEM SOU EU HOJE?

por José Ginvaldo

Pressa Já tive
hoje ando mais devagar
Mesmo que sem jeito
tento sorrir
A vida nos ensina
a falar baixo
pensar alto
e agir menos
O grito quase que não sai mais

Pressa Já tive
hoje ando mais devagar
Mesmo que sem jeito
tento acreditar
A vida nos ensina
a nao remar contra a maré
a não velejar contra o vento
O grito quase que não sai mais

Pressa Já tive
hoje ando mais devagar
Mesmo que sem jeito
tento respirar
O professor nos ensina
a calar mais
pensar menos
a nao incomodar
O grito……. O grito…….O grito……
Cadê o grito?!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O fórum de discussão como ferramenta de apoio a educação presencial

Resumo:

O presente trabalho mostra o resultado da experiência sobre o uso de ferramentas Web 2.0 em situações de ensino presencial, mostrando que é possível utilizar o fórum de discussão como ambiente online de aprendizagem e apoiar a educação presencial, colaborando na inovação da prática pedagógica do professor e na sua dinâmica de trabalho. Aborda que é possível flexibilizar o currículo escolar, possibilitando a interação e a cooperação para além da presença física num mesmo espaço e ao mesmo tempo. Com esse trabalho, conclui-se que aprender e ensinar integrando ambientes presenciais e virtuais é um dos grandes desafios da educação, para, de tal modo, possamos avançar de verdade na qualidade da educação e de uma nova didática.

Palavras-chave: Ambientes virtuais de aprendizagem, Fórum de discussão, Educação, Ensino e aprendizagem, Prática pedagógica.


Abstract:

This work shows the result of experience on the use of Web 2.0 tools in situations of classroom teaching, showing that it is possible to use the discussion forum as an online learning and support education classroom, collaborating in innovation and practice of teacher education the dynamics of their work. Addresses that can ease the school curriculum, making the interaction and cooperation beyond the physical presence in the same space and at the same time. With this work, it appears that integrating teaching and learning and virtual environments is one of the greatest challenges of education, so, so, we move from truth in the quality of education and a new didactic.

Keywords: Virtual learning environments, discussion forum, Education, Teaching and Learning, Teaching practice.


1. Introdução

A escola, hoje, tem a ferramenta Web 2.0 como um poderoso recurso de apoio ao processo de ensino e aprendizagem, por meio da qual podemos aprender e ensinar de várias formas, em lugares distintos e em ritmos diferentes. Essa nova tecnologia possibilita a ampliação e integração do conhecimento de forma rápida, acessível a todos e dinâmica, propiciando a construção/reconstrução e socialização de conhecimento para um melhor contexto individual, social e coletivo de todos os envolvidos.

Por outro lado, percebe-se que a forma tradicional de apresentar conteúdos em sala de aula não consegue mais motivar e prender a atenção dos alunos. Os estudantes reclamam do tédio de ficar ouvindo um professor falando na frente por horas, da rigidez dos horários, da distância entre o conteúdo das aulas e a vida. Eles não aguentam mais nossa forma tradicional de dar aula.

Nesse sentido, as tecnologias cumprem um papel fundamental nas escolas, representando uma bem-vinda saída para a superação desta dificuldade, pois muito mais do que simplesmente transmitir informações, a utilização destas ferramentas, possibilita a transformação de informações em conhecimento, e os alunos poderão aprender a fazer uso desses conhecimentos, pois não basta só saber, mas também, saber fazer.

Neste contexto, adotei o fórum de discussão nas minhas aulas de Filosofia, lecionando para alunos do Ensino Médio, de uma escola pública, na perspectiva de transformá-lo em um ambiente virtual de aprendizagem, auxiliando em todo o processo de ensino/aprendizagem.

O trabalho pauta-se nos seguintes objetivos:

  • · Introduzir os computadores na vida escolar dos alunos, expandindo o acesso à informação;
  • · Contribuir para o processo de ensino-aprendizagem, tornando as aulas mais criativas, motivadoras, dinâmicas e mais prazerosas;
  • · Envolver os alunos para as novas descobertas, proporcionar autonomia, curiosidade, cooperação e socialização;
  • · Estabelecer novas relações com o saber, ultrapassando limites tradicionais;
  • · Oportunizar ao professor diferentes formas e recursos de melhorar o ensino, oferecendo estratégias inovadoras para a inclusão das novas tecnologias na prática pedagógica.

A partir deste trabalho, surgiu a proposta de se construir o relato da experiência desenvolvida com o uso da ferramenta Web 2.0, utilizando o fórum de discussão na minha prática pedagógica, de modo a apresentar as contribuições decorridas com a utilização deste ambiente virtual como ferramenta de apoio a educação presencial. Pois, acredita-se que a incorporação das novas tecnologias na prática pedagógica, poderá trazer grandes contribuições na educação, tendo em vista a configuração de novos ambientes de ensino e aprendizagem, e a otimização de um novo paradigma baseado na interatividade e na cooperação. E que, o fórum de discussão possibilitará ao professor a instigar, motivar, desafiar e orientar os alunos, tornando dinâmico o processo de ensino e aprendizagem.

Para a realização do relato da experiência, utilizei a observação e a interpretação das contribuições dos participantes postadas no ambiente online Fórum de Filosofia CEDLEM-Quijingue, que utilizei nas minhas aulas, bem como, por meio de uma abordagem qualitativa das intervenções realizadas e de um questionário colhido junto aos alunos envolvidos no processo.

O presente trabalho está estruturado em cinco capítulos. Neste primeiro capítulo, faz-se uma breve contextualização do trabalho, situando o problema e a justificativa desta realização, bem como dos objetivos (geral e específicos) e da metodologia utilizada para esse feitio.

No segundo capítulo, faz-se uma abordagem geral sobre o uso de ambientes virtuais no processo de ensino/aprendizagem.

No Capítulo 3, aborda-se sobre o ambiente virtual de aprendizagem, Fórum de Filosofia CEDLEM-Quijingue, criado para apoiar a prática pedagógica na educação presencial.

O Capítulo 4 apresenta os resultados advindos da utilização do fórum de discussão inserido na prática pedagógica como um ambiente virtual de aprendizagem.

O último capítulo apresenta as conclusões obtidas com o desenvolvimento do trabalho.

Finalmente, expõem-se as fontes bibliográficas consultadas para a execução deste trabalho.